Haiti. As outras réplicas
Eduardo Galeano

A tragédia do Haiti desatou um formidável movimento internacional de solidariedade. Mas, segundo o escritor uruguaio Eduardo Galeano, o terremoto também provocou outras réplicas. São, explica em artigo publicado no El País, 07-02-2010, tremores de hipocrisia, racismo e amnésia que nenhum sismógrafo é capaz de detectar. A tradução é do Cepat.

 

Eduardo Galeano discute as veias abertas pelo terremoto no Haiti

 

Confira o artigo publicado no El País, em 07 de fevereiro de 2009 no link http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=29810

Publicado em: 25/02/2010

 
 
Uma análise da ajuda no Haiti
Phyllis Bennis

Confira análise de Phyllis Bennis em que o autor aponta a marginalização das Nações Unidas e a militarização da ajuda dos EUA no Haiti.

 

O artigo é intitulado Haiti Again? e está diponível na página do Transnational Institute através do link  http://www.tni.org/article/haiti-again

 

 

Publicado em: 25/01/2010

 
 
Haiti: Humanitarismo e Política Internacional, por José Flávio Sombra Saraiva
Flávio Sombra Saraiva

O mundo se curvou aos fatos. O esforço humanitário é urgente para garantir o mínimo diante das conseqüências indeléveis do terremoto no Haiti. A cooperação é o lema e todos querem estar junto aos difíceis trabalhos de salvamento e proteção de desamparados pela imperiosa natureza e pela imprudência dos homens.

A tragédia haitiana, no entanto, se faz dentro da reedição das duras disputas da política internacional do momento. Depois de Copenhague, onde pesou o arranjo sino-americano, o Haiti é o novo palco para a exibição dos interesses e das quedas de braço do sistema internacional em momento de redesenho de hierarquias. Abandonadas pelas grandes potências, que minguaram recursos e esforços diplomáticos para o alívio da pobreza no Haiti e em países miseráveis que o mundo ainda abriga, são essas mesmas potências que agora coordenam a operação do aplainar os cemitérios do país caribenho.

Silenciou-se repentinamente o discurso monocórdio do combate irracional e linear ao chamado terrorismo internacional, conceito ainda não bem definido, de Bush a Obama. Tudo agora é humanitarismo nas lágrimas de crocodilos dos líderes cínicos quando apenas agora, já tarde, ouvem-se discursos de desdobrada atenção ao drama do Haiti. Atores e músicos famosos fazem o cordão de proteção ao humanitarismo renovado do Norte. Não faltarão festivais em estádios e cordões de solidariedade romântica aos pobres haitianos.

Politiza-se a ajuda internacional, como no caso do clima, dos direitos humanos, e outros temas da agenda renovada das relações internacionais, quando o que importa é o esforço de salvar vidas. Os chineses foram os primeiros a chegar à ilha caribenha. Inflacionaram o aeroporto combalido da capital do país e deixaram apenas espaço modesto para aeronaves dos Estados Unidos, da Europa, do Canadá e do Brasil. Os Estados Unidos correram atrás dos chineses uma vez que o Caribe é área natural de hegemonia natural e concêntrica dos ianques. Apresentaram-se como os únicos capazes de salvar os flagelados.

Acompanhar a cobertura internacional, das agências britânicas, francesas e alemãs, na Europa desses dias, é hilário. O Haiti preencheu o noticiário monótono do frio polar e da neve. É como se no Haiti não houvesse passado, mas apenas terra arrasada, em descoberta tardia das responsabilidades internacionais antes não reconhecidas. O silêncio das grandes potências em relação aos projetos brasileiros, apresentados anos atrás, de construção de infra-estruturas e autonomia energética no Haiti, é gritante.

O Brasil - em seu esforço de governo, da sociedade organizada e suas ONGs, mas em especial dos sacrifícios pessoais dos militares brasileiros, em missão convertida e gerenciada pela ONU no Haiti – vem sendo apenas discretamente reconhecido. Obama agora quer oferecer os famosos 100 milhões de dólares que o Brasil já havia solicitado para obras de infra-estrutura no país. Aqui, na Europa, nada se sabe acerca da obra de Zilda Arns no Haiti, nem que ministro brasileiro foi a primeira autoridade internacional a pisar o solo tremente da ilha. A lógica é mostrar Obama, Sarkozy e outros líderes do Primeiro Mundo isolados, a domesticar a opinião pública e os interesses eleitorais. Espero que o Brasil não faça o mesmo.

A coordenação dos esforços de construção do Haiti deve ser multinacional, a recordar que o esforço humanitário é apenas uma etapa para o longo prazo, de fortalecimento das instituições e da cidadania, ao lado da reconstrução social e econômica do país. Passada a comoção do momento, valerá acompanhar o dia seguinte. O esquecimento é em geral o que se espera. Pois que se tome uma lição do Haiti para a política internacional: o pêndulo está excessivamente angulado no realismo global e nos egoísmos nacionais. Era hora de movê-lo para a dimensão humana das relações internacionais, que prescinde do humanitarismo, para ser apenas humana a face desejável dos sonhos de um mundo melhor.

José Flávio Sombra Saraiva é Professor titular de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq e diretor-geral do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais – IBRI (fsaraiva@unb.br).

from → Boletim Mundorama, 18 de janeiro de 2010, http://mundorama.net/2010/01/18/haiti-humanitarismo-e-politica-internacional-por-jose-flavio-sombra-saraiva/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+Mundorama+%28Mundorama%29

 
 
O Haiti e a Universidade
Equipe do projeto Brasil-Haiti

 

O sistema universitário brasileiro, assim como o de muitos países, não demonstrou ao longo da história, atenção e interesse em aproximar-se, por exemplo, através de pesquisas, da realidade haitiana. Nesse sentido, este país não é problematizado através de estudos sistemáticos. Em parte, este vácuo acadêmico deve-se à ausência de informações acuradas sobre o Haiti, impedindo a elaboração de estudos sistemáticos e científicos sobre uma realidade intrincada, complexa, sofisticada e, certamente, difícil sob o ângulo sócio-econômico.

Diante disso, verifica-se que a Universidade, vista como um todo, não vem cumprindo o seu papel de local privilegiado para a produção e disseminação do conhecimento. Nesse viés, é preciso resgatar a sua função de espaço para a expressão do interesse por todas as temáticas referentes à realidade humana.

A Universidade, sobretudo aquela situada nos países latino-americanos, em específico no Brasil, deve reagir em face desse contexto, contrapondo-se ao longo histórico de apatia frente às questões continentais que compartilha com os demais setores do Estado e da sociedade. Ou seja, é imperioso que a Universidade concretize sua responsabilidade científica e social em formar a inteligência necessária a promover ações transformadoras da realidade brasileira e dos demais países em desenvolvimento, bem como daquela dos países menos avançados, tais como o Haiti.

Para tanto, é preciso incrementar e produzir o conhecimento, assim como difundi-lo. Nessa trilha, o resgate da responsabilidade científica e social da comunidade acadêmica é o que o projeto Brasil-Haiti visa a realizar, a partir da colheita, sistematização, tratamento e divulgação de dados e informações referentes à problemática haitiana.

 
  dissertacao.pdf
 
A PRIMEIRA OPERAÇÃO DE MANUTENÇÃO DE PAZ DAS NAÇÕES UNIDAS NO HAITI (1995-1996): DOS ANTECEDENTES AO CUMPRIMENTO DO MANDATO
Vanessa Braga Matijascic (monalisavbm@gmail.com)

Tema de pesquisa: A PRIMEIRA OPERAÇÃO DE MANUTENÇÃO DE PAZ DAS NAÇÕES UNIDAS NO HAITI (1995-1996): DOS ANTECEDENTES AO CUMPRIMENTO DO MANDATO
Orientador: Héctor Luis Saint-Pierre
Banca: Samuel Alves Soares e Shiguenoli Miyamoto
Resumo: Esta dissertação é uma análise do contexto e dos fatores que levaram a aprovação e envio da primeira operação de manutenção de paz das Nações Unidas ao Haiti no início da década de 90, bem como busca verificar se todos os pontos do mandato aprovado pelo Conselho de Segurança foram cumpridos e sob quais condições. Analisamos as negociações mediadas por atores internacionais, como a Organização das Nações Unidas, a Organização dos Estados Americanos e os Estados Unidos e os respectivos resultados obtidos com as partes envolvidas no conflito: Jean-Bertrand Aristide e autoridades militares e políticas haitianas.
Para ler o texto na íntegra, faça o download do arquivo ao lado
 
 
 
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